Primeiras Intenções


É quando a chuva cai assim, de um jeito inconstante que eu me sinto à vontade para escrever sobre o amor.

Já passam de duas da manhã, pelo barulho de fechar as janelas, meus pais ainda não dormiram, e obviamente, eu também não.

Eu não sei dar uma definição para o amor. Afinal, quem sabe? Aposto que quem tenta, em algum momento, erra. É por isso que escrevo ao som do cair da chuva. Ela cai com força, dá trégua, volta a golpear o telhado, depois vem devagar, como se assoprasse a ferida.

Além disso, quando escrevo sobre o amor, uso caneta com tinta permanente, você deve imaginar o porquê.

Outra coisa que eu não sei: como conheci o amor. Só sei que ele não foi elegante, não pediu licença para entrar. No meio de uma brincadeira ele decidiu tomar conta de um coração leviano, o meu.

Esta é minha tarefa de sociologia: escrevo agora sobre os meus “achismos” em relação ao tema mais discutido no mundo: o amor. É fato: milhares de especialistas lucram com ele, sem jamais dar uma resposta ao paciente. É muito fácil falar do amor, se apenas perguntar, porque se for responder, vai errar.

Se conheço o amor? Bem, vamos por partes.

O amor mais conhecido por mim: o platônico. Vivo me apaixonando por idéias. Tenho admiração por muitas das pessoas que me cercam. Isso às vezes é confundido com puxa-saquismo. Pensem o que quiserem, não estou atrás de benefícios. Muitas vezes as pessoas insistem em achar que há sempre uma segunda intenção por trás de tudo. Nem sempre, por isso meu blog é chamado PRIMEIRAS INTENÇÕES. Ops, isso não é uma segunda intenção? É... Vacilei... tudo sempre tem uma segunda intenção... Afinal, todo discurso é feito para seduzir, de um jeito ou de outro.

Continuando...

O amor, para mim, acontece quando há uma busca desesperada pelo apoio de alguém. Uma busca incessante de um apoio incondicional. Duvide quando alguém diz amar incondicionalmente. Afinal, por que diabos existe o amor? Pergunte para quem lhe disser “eu te amo”, o motivo de tal sentimento. Provavelmente obterá como resposta “porque você é inteligente,blá blá blá...” Viu? Há um motivo, então é condicional.

Amei uma única vez na vida, até agora. Considero-me em um estado de paixonite por enquanto. Quase dois anos atrás, resolvi que amava alguém... esse alguém era meu melhor amigo. Resultado? Bem, noites mal dormidas até hoje e a perda da amizade.

Analise e diga sinceramente se estou errada. Por que procurar o amor aos 15? É muita besteira pra tão pouca idade. Assim como Bauman define em seu livro “Amor Líquido”, o amor é como a morte, há de vir para todos, querendo ou não.

Espero não ter perdido a minha vez amando tão cedo, sem poder aproveitar todas as coisas proporcionadas pelo amor. Quem sabe um dia, acontece de novo, não?



Escrito por Ela às 03h11
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Interpoliedro

 

Palavras do enfermeiro:

"Professora, manda essas meninas estudarem... Porque pra futebol, tá uma negação.."

Eu assino embaixo..

 

ps: PUTA FRIO NO DEDÃO!



Escrito por Ela às 11h29
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Ah... O palhaço!

E o palhaço o que é? É ladrão de mulher!

Palhaço? Ladrão de mulher? Não!
O palhaço é o ladrão da tristeza. Egoísta que é, vem, apresenta-se, tira de quem o assiste toda a tristeza e deixa no lugar uma explosão de alegria (mesmo que momentânea) e admiração (eterna).

Deixe-me dizer como cheguei ao parágrafo acima. No (tão falado) ano de 2006, conheci uma senhora encantadora. Daquelas que não tinha medo de nada.
O que mais me impressionou fio como ela criou sua filha. Sinceramente, se a menina nasceu com os genes para ser crítica e inteligente, eu não sei. Contudo, eu sei que, com uma mãe dessas, até eu seria genial.
Não quero, não devo e não posso entrar em maiores detalhes. Pelo menos por enquanto.

Após conhecer tal senhora, fui apresentada à palavra FORÇA. A vida dela, como jornalista, me assustava. Entretanto, ao mesmo tempo enchia de orgulho. Nunca imaginei conhecer alguém de tamanha força e competência.
Passado algum tempo, eu ainda tinha em mente o curso de jornalismo. Talvez por admiração à ela, talvez por vocação. O motivo não importa agora. Contudo, quando eu pensei conhecer tudo sobre o mundo (eu sei, burrice inerente à adolescência), ela me apresentou o significado de GARRA.
Não pense que ela parou por aí, Zé.

Mal tomei fôlego e já fui obrigada a ver o circo pegar fogo. Eleita a melhor repórter de seu estado, ela mostrou para quem quisesse ver, como se vive unindo força, garra e, principalmente, inteligência.

Onde eu quero chegar afinal?
É longe, Zé. Mas, se quiser, pode me acompanhar.
Não é nada fácil conseguir tudo (ou pelo menos metade) do que ela conseguiu. Principalmente ao lado de alguém que ela não amava.

Ela sempre me provocou risos, mas até hoje pensa em partir, deixar tudo para trás. Mas ela sabe do óbvio: até hoje fez o melhor trabalho possível. E eu não falo apenas da vida profissional.

Agradeço a ela pelos ensinamentos. Por ter me mostrado muito mais do que estes olhos (agora fixos no notebook), poderiam ver.


Escrito por Ela às 20h21
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Mais uma vez, as mudanças...

Querendo ou não, aos poucos, em tantos mínimos, a vida vai mudando.

Aprende-se quando se estuda Heráclito que ninguém se banha em um mesmo rio duas vezes. Nada é, sempre está. Este é o princípio básico da tão discutida dialética também.

Obviamente, o DNA, de qualquer ser vivo, não deve mudar e, se o fizer, isso acarretará uma resistência inexistente nos seus semelhantes ou num tumor, o que é mais provável.

Entretanto, o pensamento muda, os átomos dançam de uma molécula para outra enquanto buscam o equilíbrio químico e, quando encontram, não param de se movimentar, ainda fazendo parte do equilíbrio.

Movimento constante. Quando há o equilíbrio, o movimento é uniforme. Entretanto, tratando-se de pensamentos, há variações incalculáveis, de sentimentos então nem se fala.

Contudo, não restam dúvidas. As pessoas ao redor devem mudar, o jeito de pensar e sentir também. Os sentimentos apresentados mudam de forma um tanto mais drástica. Por quê? Também não sei. Deve ser porque tudo é muito mais fácil de se obter hoje, mas muito mais difícil de se valorizar.

Dezesseis anos atrás, eu nascia. Seis anos depois eu começava a aprender e ostentava o pouco que sabia. Dez anos depois, enxergo o quão volúveis eram minhas companhias.

Tentaram me ensinar desde cedo que amizades verdadeiras eram raríssimas. Deveria ter ouvido, assim não me decepcionaria tanto ao olhar para trás. Da mesma maneira que deveria ter pensado bem antes de me envolver com uma pessoa, a qual eu considerava sem defeitos, e talvez por isso, não consiga apagar o triste vulto que persiste em um restinho de alma aqui dentro.

Quisera eu apagar as imagens cheias de perfeição que tenho guardadas na memória e no coração. É pena ser tão fraca assim. Não posso com as minhas lembranças, são tão mais fortes que conseguem me arrastar para um mar de incertezas.

Já dizia Nietzsche:
“Quando se tem um ‘por que’ viver, suporta-se qualquer ‘como’”

E, nesse aspecto, eu concordo. Todo ser humano deve ter seus vícios. Eu tenho os meus, e busco novos para me libertar dos antigos. Por isso escrevo. Talvez um vício um tanto mais sadio do que me remoer, sem sair do lugar.

Busco um motivo. Desejo o tal motivo como nunca desejei antes. Minha vida tem dependido muito do que eu já fiz, é hora de depender do que faço.
Sinceramente não sei se vou longe com isso tudo... Mas, quem espera nunca alcança.
Quem vai à luta sempre alcança.


Escrito por Ela às 01h29
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Domingueira saudosista.

Um domingo comum, como qualquer outro. Lá fora fazia sol, muito sol. Temperatura digna do país tropical chamado Brasil.
Um convite inusitado ao pai.
- Joga bola comigo?
Uma resposta ainda mais inusitada.
- Jogo.
Um chute torto.
- É, acho que não sou mais o mesmo – decepcionou-se.
- Ainda é um bom jogador – animou. Mentiu.

Os laços já não eram mais os mesmos. Muito tempo se passou depois que ele a colocava no berço todas as noites. Ele ainda era seu herói, ela só não sabia mais dizer isso. Não mais o chamava de pai, mas sim pelo apelido. Refugiava-se num mundo de estranhos. Não mais sentia, apenas escrevia.

O convite para o jogo trouxe de volta a lembrança de uma infância digna de príncipes e princesas. O amor do pai estampado no olhar. A admiração de sua pequena nos risinhos abafados infantis.
Para ela, sempre fora uma honra jogar com um craque como ele.
Para ele, sempre fora um orgulho ensinar a ela tudo o que sabia. Orgulho maior era ver como ela aprendia bem. “Garota boa de bola” dizia com tal orgulho florescendo.

Mais um chute torto, a bola caiu no quintal vizinho.
Ele voltou a assistir à TV. Ela voltou a escrever. A infância voltou ao esquecimento.


Escrito por Ela às 14h52
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Gossip Girl e Sex and the city

Sabe como é, depois de um tempo você tenta (até demais) se desfazer dos preconceitos e tentar ver as séries de putaria e fofoca de um jeito um pouco mais ameno. Assim eu tentei com Gossip Girl e Sex and the city. Reconheço: o resultado não foi agradável.

Na tentativa de assistir Sex and the city eu realmente quase tive vontade de vomitar. Como não poderia faltar, de acordo com o nome da série, as cenas de sexo no filme foram de matar qualquer um. Baixo e apelativo demais. Não sei qual a verdadeira intenção de quem fez o longa, mas, pelo menos a mim, não conquistou.

Depois da experiência espalhafatosa com Sex and the city, Fiz uma tentativa com Gossip Girl. Emprestei o segundo livro com uma amiga, já que o primeiro eu poderia ter acesso com a série da Warner. Resultado imediato: mais vontade de vomitar do que na tentativa anterior. O primeiro parágrafo do livro foi digno de xingos que eu jamais havia proferido antes. Depois não sabem dizer por que há tantas garotas anoréxicas e bulímicas no mundo. A futilidade inerente à Gossip Girl é de cair o queixo. Pelo menos nos problemas que envolvem o mundo adolescente, Gossip Girl tem culpa, vai por mim.

Bem, a experiência não foi tão ruim assim. Sex and the city eu assisti até o fim, ao menos. Gossip Girl eu não passei da terceira página, mas valeu a pena. Descobri que quando a veja não conseguir mais alimentar a minha úlcera, eu poderei ler Gossip Girl novamente. Ambos ao mesmo tempo? Não, não. Eu não pretendo ter uma overdose. ;)


Escrito por Ela às 01h57
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Ah, a saudade...

A pior dor que já experimentei e me viciei sem querer. Uma vez amando, aprende-se o significado da tal palavra que não tem tradução literal. Saudade vem dos lugares mais obscuros do chamado coração. Não sei dizer exatamente qual parte do cérebro é responsável pelos sentimentos como este. Mas eu sei que quem já sentiu sabe por que valorizar alguém.

A primeira saudade já manifestada aqui foi da infância, da inocência, da pureza envolvida na fase infantil que qualquer pessoa comum passa.
Meu pai sempre me contou detalhes da infância dele tentando me dar exemplos do que fazer e do que não fazer. Ao passo que me contava as tais histórias, me enchia, sem querer, de raiva de meus avós. Nunca pude entender como eles puderam encher os onze filhos de tanta pancada e ter a cara de pau de dizer que educaram os filhos na graça de Deus. Tanto faz. Não senti pena quando morreram, mas isso não significa que não senti saudade. Ah, como senti.
Nas manhãs do dia 16 de janeiro meu coração se enche de tristeza. Vovó costumava me ligar para parabenizar o novo ano completado. Lembro muito bem de quando completei 10 anos. Vovó disse-me com alegria ao telefone:
“Minha querida, parabéns pelos seus 10 anos. As décadas em nossas vidas são como quarteirões num grande bairro. Parabéns, você acaba de dobrar uma esquina em sua vida. Que Deus encha seu coração de amor e paz.”

No ano de 2006, as coisas mudaram drasticamente. Perdi um tempo precioso na frente do computador num mundo de ilusões cruéis. Não sei como agüentei. Sem dúvida foi o ano em que os amigos que nunca conquistei mais me fizeram falta. E como fizeram.
De forma alguma culpo os poucos que possuía na época e ainda possuo. São grandes amigos hoje, mas sinto não poder falar abertamente de assuntos que assolam a alma dessa criança crescida.

Hoje, 04/08/08, 2 dias antes do aniversário da bomba de Hiroshima, 2 dias antes do aniversário de um filho da puta que eu amaria esquecer, 2 dias antes do aniversário de morte do avô de um grande amigo, que também era um grande amigo. As coisas se embaralham e eu não sei com quem contar.

As pessoas me perguntam o que eu tenho, oferecem certa ajuda. Mas eu receio que seja apenas por educação. Os meus projetos não têm saído exatamente como eu gostaria. Não obtive sucesso recentemente. Mas eu não desisti ainda. Há muito para se fazer.

Vivo uma parte importantíssima de minha vida. Recebo informações novas a todo e qualquer minuto, os pensamentos já são mais trabalhosos e não tão rápidos quanto antigamente. Diferentemente de quando estava no jardim de infância ou no chamado pré, não estou à frente de ninguém. Sou mais uma no meio de uma imensa multidão.

Sinto uma enorme falta de ser quem eu era. Sinto falta de amar. Sinto falta de ser amada. Sinto falta de proteção. Sinto falta de sentir falta de alguém.

É, Zé. Tô carente.


Escrito por Ela às 13h45
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Happy Birthday, Maísa.

Não há muito, talvez menos de 6 meses, conheci uma garota com características muito peculiares. Era inteligente, com o sarcasmo que poderia vir a crescer em nossa companhia e, como não poderia ser diferente, cresceu. Mais uma “nerd” que viria a integrar nosso seleto grupinho de retardados que não tem mais nada para fazer a não ser falar de tecnologia, política, bomba atômica e coisas curiosas do mundo afastado da futilidade inerente aos seres humanos de hoje.

Eis que surgia Maísa em minha vida. Ah, que garotinha cativante! Um sorriso maroto que, com todo respeito, conseguiria o que bem quisesse.

No primeiro trocar de palavras nasceu uma bela amizade, eu acho que por um momento pensei entendê-la. Mas logo depois percebi que era ilusão, Maísa não se deixa entender, Zé. Muito menos prender.

Há muito mais coisas que eu gostaria de te dizer, Má. Mas não há palavras que definam o sentimento simples e ao mesmo tempo complexo que tenho a seu respeito. Amizade não se define, não se pode qualificá-la ou quantificá-la.

Amo-te como amiga. És especial para mim, mocinha serelepe (anos 70 de volta, uhul).

Feliz aniversário, moça. Desejo-te sorte com tudo o que bem quiseres. Eu sei que tens o mundo na palma da mão.

Escrito por Ela às 17h46
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Por que cresci?

Não sei exatamente por que, mas sempre achei que dizer-se de capricórnio seria o mesmo que dizer-se corno. Talvez pela análise que eu adorava fazer... “Capri-córnio”, capri me lembrava cabra... córnio lembrava corno. E desde muito pequena dizer ‘cabra’ em casa poderia significar uma pessoa. Assim como se diz “cara” para se referir a um homem.

Descobri há pouco que o planeta regente de capricórnio é Saturno. O tal doido desvairado da mitologia. Filho de Géia (ou Gaia) e Urano (o céu), Saturno via seu pai fecundar sua mãe à torto e à direito procurando ter filhos perfeitos. Saturno castrou seu “papai” e, interrompendo o ciclo de reprodução, toma seu lugar no “trono do mundo”. Casou-se com sua irmã, cujo nome não lembro, e teve vários filhos. Entretanto, a loucura de Urano manifestou-se também em Saturno assim que este soube que um filho seu o trairia, tal qual fez com seu pai. A partir de então, passou a devorar seus filhos. O fim da história é que a mamãe Géia salva a pátria dando uma pedra enrolada num pano, dizendo que é seu filho Júpiter (Zeus). Saturno então vomita todos os filhos e eles repartem o mundo depois de brigarem por muito tempo com seu pai.

O signo pouco importa. Adorei saber que sabia (muito pouco) da história criada com o nome do planeta regente. Essa pequena parte da mitologia (desprezada em poucas linhas) fez parte de um livreto que eu mesma montei com histórias muito particulares sem motivo ou razão. Possuí o tal livreto até meados de 2006, quando eu, por fim, resolvi crescer.

Digo logo o resultado: CAGADA!
Aos quatorze não se tem idade para crescer como eu queria. Queria a tal maturidade que só se obtém aos trinta, e às vezes, nem aos trinta. Arrumei então um namorado. O meu plano era perfeito: arrumava um namorado, me apaixonava, curtia e, depois de um tempo, largava! Perfeito para quem quer um amadurecimento rápido e eficaz. Mas, como qualquer criança inocente e imbecil, eu me esqueci de todas as grandes histórias da mitologia grega que eu adorava, deixei de assistir os desenhos que costumava e lá fui eu. Mergulhei de cabeça.

Como é fácil se apaixonar quando não se vê defeitos em alguém. Adorava os sorrisos, os beijos, os abraços, as palavras doces e todo o resto. Durou pouco, é verdade. Mas o estrago foi maior do que o esperado. Eu cresci.

Consegui muito pouco do que queria e muito mais do que esperava. É difícil encontrar alguém que aos quatorze anos entende bem o que significa o amor nos tempos modernos. Como bem define Zygmunt Bauman, segundo minha professora de sociologia, as pessoas saem à caça, procurando sempre o mais bonitinho, mais malhadinho, com as melhores roupas e todas aquelas coisas tão fúteis quanto o botox. Essa é a realidade aqui no estado de São Paulo ou lá em Minas Gerais. Na Bahia ou no Amazonas.
É difícil, mas aos quatorze eu entendia, ou achava que entendia. O amor para mim era um mito, coisa boba, fútil, efusiva, idiota... efêmera.

Mas, sabe o que eu descobri hoje, Zé?
Descobri que as coisas não são bem assim. Eu apenas encontrei quem pouco se importava com as idéias de amor que uma adolescente sonhadora tinha. Mas, através desse cara, eu conheci a garota que logo vai se tornar mulher, pronta para entender a fundo dos tais assuntos do coração. Porque coração, Zé... não é como namorado.. não dá para trocar quando não está malhadinho, bonitinho...

Queria não ter crescido... Talvez a inocência me fizesse um bem muito maior do que a consciência de tudo isso.


Escrito por Ela às 18h23
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Adaptações

Aos cinco anos, adentrando o então jardim da infância, tive de enfrentar a ruptura da primeira socialização para a segunda. Meus pais mal conseguiram me manter na escolinha naquele ano. Bem, a coisa toda teve continuação... veio um novo ano.

Aos seis eu me adaptei melhor, convivi com os coleguinhas amigavelmente, socializei-me por fim. Mas eu acho que foi apenas por já saber ler. Adorava mostrar aos coleguinhas que eu sabia e eles não. Adorava mais ainda saber procurar palavras no dicionário enquanto eles sofriam para juntar a letra B e A para formar BA.
Logo depois, ainda naquele ano, a professora chamou meus pais no colégio com uma notícia que eles adorariam e eu mais ainda:
“Sua filha está à frente dos coleguinhas. Coloque-a numa escola particular, pois ela tem muito potencial.”

Pois é, eles ouviram a desgraçada.
Aos sete, lá estava eu numa escola particular de nome Colégio Saint-Exupéry. Que tristeza, Zé! Todos aqueles riquinhos de nariz em pé, não conhecia um deles sequer. Odiei.
Não me adaptei nos primeiros dois ou três anos, mas reconheço que eu nunca tentei tanto uma coisa quanto a tal adaptação. Sempre fui teimosa.

Anos depois, depois de finalmente adaptar-me, encerrou-se o fundamental. Fim da linha para muitas das tais amizades falsas que eu havia conquistado.

Já no ensino médio tive muitas felicidades e pouquíssimas dificuldades em adaptar-me.
Óbvio que eu sofri com o estilo das provas da área de exatas e humanas. Como sofri.
Tive uma professora de história e filosofia (que hoje leciona apenas Sociologia) que realmente forçou a cabecinha da criança. Interpretar textos para responder uma questão não muito difícil não foi fácil. Mas já disse, sou teimosa. Consegui sem excelência, mas consegui. Com o professor de Geografia não foi diferente. Foi difícil demais (não só para mim, mas para a sala toda) acostumar com o vocabulário tão rebuscado e com um viés de caráter universitário. Ele parecia um livro falando, juro.

E por fim, passo por uma nova adaptação: a quebra de um “vagabundismo” cultivado por 16 anos, por alguém que nunca precisou estudar, mas quer entrar numa universidade pública. Como? Não faço a menor idéia. Demoro à lidar com mudanças. Espero que essa tenha um novo final agradável, ao menos.
Juro todos os réveillons que vou estudar e me dedicar mais. Espero um dia cumprir, antes que seja tarde.


Escrito por Ela às 19h16
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I am legend...

Ao som de “three little birds” (Bob Marley), resolvi escrever pela primeira vez aqui.

Sabe como me surgiu a idéia de ouvir a tal música? Assistindo o Filme “I am legend” e, acreditem senhores, eu consegui chorar assistindo ao dito cujo. Por quê? Simples. Imaginei-me na situação do Doutor, sendo o último humano não-infectado na cidade, com leões à solta, veados perambulando por aí, “zumbis” furiosos que não podem sair à luz do sol. E infectada pelos zumbis, sua única companheira Samantha, uma linda cadela, deve ser morta por suas próprias mãos.

Confuso, eu sei. Mas quem escreveu tal história sabia bem o sentido de Three little birds no contexto. O mais engraçado é que os tais zumbis passam a ter sentimento. E eu não pretendo contar o resto da história, é um filme que eu recomendo.
Sabe, foi isso que faltou a Resident Evil, a evolução dos zumbis, o sentimento começando a ser apresentado, uma sociedade se formando entre eles. Como eles pensariam em deuses? O que o ser superior seria para eles? Existiria? Sim, decerto. O grande problema é que nós, os humanos, não conseguimos imaginar os sentimentos e crenças do próximo. Leões provavelmente devem ter sentimentos, quaisquer que seja, estou certa de que existam. E porque uma mutação do nosso DNA não possuiria sentimentos também? É algo válido para se pensar. O preconceito nasce aí, não acreditando que exista sentimento além dos nossos pobres olhos desgraçados de tanto evitar enxergar o que está posto a menos de um palmo de nós.

Pensei que depois de assistir teria terríveis pesadelos, mas não... meu sonho foi tão doce quanto a canção de Marley.

Então fica a mensagem do dia:
Woke up this mornin',
Smiled with the risin' sun,
Three little birds
Sit by my doorstep
Singin' sweet songs
Of melodies pure and true,
Singin', ("This is my message to you-ou-ou:")

Singin': "Don't worry 'bout a thing,
'Cause every little thing is gonna be alright."


Escrito por Ela às 16h10
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